América Pré-Colombiana: Incas

Quando os conquistadores europeus chegaram ao Império Inca, este se estendia desde o sul da Colômbia até o Rio Mauli, no Chile, e a leste chegava até a Floresta Amazônica. Sabemos que muito antes de essa tribo das montanhas lançar a base de seu império, outras civilizações já haviam se sucedido: os chavin, os nazcas, os mochicas, os waritiwanakus, os lambayeques e os chimus. Os incas herdaram uma tradição que já tinha mais de 4000 anos. A cultura expansionista dos incas contribuiu para que dominassem seus aliados, povos que habita­vam a região, e em menos de um século transformaram-se no maior império da América pré-colombiana.

Economia e sociedade

A economia inca estava baseada na agricultura e na criação de animais, como a alpaca e o lhama que forneciam carne, couro, leite, lã e também eram utilizados como meio de transporte. A terra era cultivada coletivamente pelos camponeses que moravam nas aldeias e era mediante a solidariedade que enfrentavam juntos a natureza hostil: o frio, a seca, a chuva., círculo restrito procurava manter-se pelo casamento entre seus iguais. Na base da pirâmide social, encontravam-se os curacas, que administravam as aldeias, auxiliados pelos camayacas (capatazes), que eram encarregados de cobrar dos aldeões a prestação de trabalhos forçados para o governo. Assim, a sociedade inca era uma sociedade de servidão coletiva.

 

Poder, cultura e religião.

A beleza e o material utilizado na produção de máscaras e outros objetos despertaram a cobiça dos espanhóis quando chegaram ao continente americano. Barco de totora no Lago Titicaca, Bolívia. A tradição de produzir embarcações feitas de totora ainda hoje é mantida pelos descendentes dos incas. A sociedade inca estava hierarquicamente organizada da seguinte forma: no topo, o imperador, depois seus descendentes, os funcionários da administração e os sacerdotes. Essa elite inca tinha o poder e as riquezas do Império. A aristocracia inca levava uma vida de luxo e fartura. A posição social era hereditária, passando de pai para filho.

A religião inca era politeísta, caracterizada pelo naturalismo e astrolatria, isto é, culto aos astros. Consideravam o sol e a lua um casal divino, mas as divindades civilizadoras é que ganhavam maior destaque no Panteão dos deuses incas, pois acreditavam serem elas que ensinaram aos homens a ter sabedoria na utilização da natureza, como: semear a terra, domesticar animais, tecer. O deus inca Uirococha teria sido o responsável por esses ensinamentos.

O Império Inca constituiu o Estado mais centralizado dos povos pré-colombianos. O imperador era considerado o filho do sol e cultuado como Deus vidente que, para manter o sangue divino de seu herdeiro, desposava a própria irmã. Por não possuírem nenhum tipo de escrita, a tradição era transmitida oralmente. Os incas desenvolveram conhecimento em matemática e astronomia, que estava ligada à astrologia; eles acreditavam que os astros influ­enciam o comportamento humano.

O texto a seguir contribui para você entender melhor a relação dos incas com os astros. As estrelas eram consideradas moradas dos espíritos e eram objeto de uma verdadeira veneração. Os índios não prestavam culto aos próprios astros, mas aos espíritos ancestrais que neles habitavam.
Com a chegada dos espanhóis, a vida desses povos modificou-se consideravelmente. A bem da verdade, essas civilizações, se não foram destruídas pela violência, foram arrasadas pelas doenças que o homem branco trouxe para a América. Não podemos esquecer que um dos fatores que facilitou a conquista pelos espanhóis foi justamente o fato de alguns povos como os astecas acreditarem que os deuses estavam chegando para assumir seu lugar na Terra.

O que aconteceu com os povos pré-colombianos?

Os astecas, maias e incas tiveram suas culturas destruídas por europeus que chegaram ao continente americano a partir do século XV.
Ávidos por metais preciosos e produtos que poderiam ser comercializados no mercado europeu, os conquistadores e colonizadores espanhóis – que viveram no contexto do mercantilismo – pilharam, dominaram, escravizaram e dizimaram civilizações que, em muitos aspectos, superavam as europeias.
A cobiça ligada à intolerância fez com que não só maias, astecas e incas, mas também outros povos indígenas fossem considerados desprovidos de humanidade. Os espanhóis também não reconheceram os direitos que os habitantes da América tinham sobre as terras e as riquezas.

Vistos como “bárbaros” e “selvagens”, os mem­bros da Confederação Asteca e do Império Inca não tiveram suas manifestações religiosas e seus costu­mes entendidos pelos europeus. No imaginário religioso do branco conquistador não havia lugar para o politeísmo religioso, para o culto às forças da Natureza e principalmente para os sacrifícios de animais e até humanos.

Muitos conquistadores haviam assumido a missão de conduzir o “outro”, isto é, os povos americanos, para a civilização e para o cristianismo. Desse modo, durante a conquista e a colonização, templos, divin­dades e cerimônias religiosas dos indígenas foram substituídos por igrejas, pelo Deus e por rituais cris­tãos. Os conquistadores sempre se empenharam em afirmar que os nativos eram bárbaros, inferiores, selvagens e preguiçosos.

Há muito tempo, os pesquisadores discutem sobre as origens do homem americano. Alguns dizem que os primeiros povoadores da América eram aloctones, isto é, seriam provenientes de outras terras, especificamente da Ásia; outros dizem que não, que sua origem teria sido no continente americano, seriam autoctones. Porém a teoria mais aceita seria que grupos migraram de outros lugares. Mesmo dentro dessa teoria, duas correntes se opõem. A primeira corrente de pesquisadores procura demonstrar que grupos humanos numa única migraçãoteriam atravessado o Estreito de Bering que liga a Sibéria (Ásia) ao Alasca (América).

Porém, para outros pesquisadores, como o francês Paul Rivet e o argentino Salvador Canais Frau, a América teria sofrido mais de uma migração e que essa teoria de aloctonismo único não poderia ser considerada verdadeira. Segundo eles, grupos humanos teriam migrado também de outras regiões: da Austrália, da Malásia, da Sibéria e da Polinésia. Esses grupos teriam utilizado a via marítima para chegarem à América, porém tais pesquisadores não desconsideram que a primeira migração tenha ocorrido pelo Estreito de Bering, apenas não acreditam que tenha sido única.


Machu Pichu e outros lugares das Américas tornaram-se famosos devido a seus templos e pirâmides, pontos turísticos que anualmente recebem milhares de pessoas que procuram conhecer melhor a história das civilizações desses lugares, anteriores à chegada dos europeus.

Astecas

A civilização asteca dominava a maior parte do México: do Golfo do México ao Pacífico, chegando até a Guatemala. Os astecas estenderam sua cultura e sua religião aos povos dos territórios conquistados, compondo o Grande Império Asteca. Essa civilização se destacou pelo esplendor de sua arquitetura, na construção de palácios e templos. Segundo alguns pesquisadores, a capital do Império Asteca, Tenochtitlán, hoje Cidade do México, era maior que algumas cidades espanholas, comportando uma população de 100 mil habitantes. Quando os espanhóis chegaram ao México em 1519, defrontaram-se com uma sociedade desenvol­vida e que já empregava técnicas avançadas para a época: na agricultura, na arquitetura, no armazenamento de água potável.

A maior parte da riqueza asteca provinha dos tri­butos arrecadados das regiões conquistadas e era des­tinada ao pagamento das despesas do Estado com seus servidores, tropas, funcionários, construções de cis­ternas para armazenar água, canais de irrigação, agri­cultura etc. O poder era exercido pelo imperador escolhido pelo grande conselho, composto por representantes dos guerreiros, dos sacerdotes e dos bairros. Esses representantes elegiam para imperador aquele que fosse mais bem preparado para governar. Porém, para concorrer ao trono, era necessário que pertencesse à família do imperador morto e à etnia asteca, o que demonstra ser o poder hereditário. A função desse conselho não era apenas a de escolher o imperador, mas também a de auxiliar na administração e fiscalização do soberano.

A terra era a maior riqueza para o povo asteca

A base da economia asteca era a agricultura, porém isso não significa que a caça, a coleta e a pesca deixassem de ser utilizadas como recursos de subsistência. A posse da terra ficava a cargo da comunidade que a explorava coletivamente. Mas quando ocorria um casamento de um membro da comunidade, este ganhava um lote de terra, em troca deveria prestar serviço militar e pagar impostos. Embora as terras pertencessem à comunidade, gran­des extensões de terras eram doadas ao imperador, aos reis das cidades aliadas, aos funcionários do Es­tado, aos chefes militares e aos sacerdotes que as exploravam por meio do trabalho escravo.

As feiras que eram organizadas nas cidades proporcionavam as trocas e a comercialização de tudo que era produzido. E por meio delas a economia asteca era mantida. O texto a seguir procura mostrar como se processavam as relações econômicas e sociais na cultura asteca.

Sociedade

A elite asteca era formada pela aristocracia, que possuía vastas extensões de terras, e por comerciantes, que monopolizavam o comércio além das fronteiras do império e que, por possuírem riquezas, tinham certos privilégios e algumas vezes influenciavam o poder. Na confecção de joias e ornamentos, encontra­vam-se os artesãos que ensinavam seu ofício aos fi­lhos. Na pirâmide social dos astecas também vamos encontrar os altos funcionários, que eram conhecidos como dignitários, os sacerdotes e os chefes militares.

A sociedade asteca não pode ser considerada estamental, pois um indivíduo livre poderia ter ascensão social, podendo ser um alto funcionário ou um sacerdote, desde que se destacasse em combates. Na base da pirâmide, encontramos os escravos, ou melhor, homens não-livres, que trabalhavam nas propriedades do imperador ou da aristocracia. Aquela posição social era ocupada por pessoas de diversas origens: endividados, prisioneiros de guerra ou con­denados pela justiça. Portanto, o que devemos ter claro é que a sociedade asteca era uma sociedade tributária e que existiam diferenças sociais: o povo trabalhava para pagar os tributos que mantinham a elite asteca.

Religião e cultura

A civilização asteca era profundamente religiosa. O poder do imperador era teocrático, porém ele não era considerado uma divindade. A religião era politeísta de base naturalista, isso significa que seus vários deuses estavam ligados à Natureza e aos astros. Para os astecas, suas colheitas amadureciam ou batalhas eram vencidas graças à ajuda dos deuses. Dessa forma, em homenagem aos deuses, os astecas oravam e praticavam sacrifícios. Os templos eram construídos para que pudessem adorar tais divindades.

Maias

Os maias se organizaram em cidades-estados que possuíam um centro cerimonial, local onde realizavam as oferendas para seus deuses. Era nesse espaço que se localizavam as pirâmides, o comércio e o lazer. Ao seu redor, ficavam pequenas aldeias onde habitava a maioria da população. Já ao imperador, aos sacerdotes e aos artesãos era permitido estabelecer moradia nesses centros de cerimônias. Essa civilização ocupava o sul do atual México até o norte da Colômbia. A base econômica dessa civilização também era a agricultura. Apesar de os maias utilizarem a irrigação para melhorar a produção de alimentos, mantinham técnicas rudimentares em relação aos astecas e incas, que eram mais desenvolvidos.

A religião maia estava diretamente ligada ao culto à Natureza. Os deuses personificavam os fenômenos da Natureza, como a chuva, o vento, ou também pontos cardeais. Diferentemente dos astecas, que praticavam sacri­fícios humanos, os maias praticavam sacrifícios animais.

A cultura maia era extremamente rica: produziam uma cerâmica de boa qualidade, possuíam conhecimentos de matemática, fato que contribuiu para que desenvolvessem um calendário de alta precisão que só foi superado pelo atual. Também ampliaram seus conhecimentos na área de construção de pirâmides, e desenvolveram uma escrita própria. Aliás, os maias foram os únicos pré-colombianos que desenvolveram a escrita.

A partir do século X, os maias começaram a enfrentar dificuldades, pois as técnicas utilizadas no cultivo eram rudimentares, afetando a produção de alimentos. Talvez por causa da migração tolteca para a região, os maias emigraram para a parte norte da Península de Yucatán, deixando para trás suas mag­níficas cidades, depois tomadas pelas florestas.

Com a chegada dos europeus em 1523, a sociedade maia, que já se encontrava em declínio, foi totalmente submetida a trabalhos forçados que contribuíram para descaracterizar sua identidade cultural. Diferentemente de outras sociedades, que en­tenderam os europeus como sendo deuses, para os maias os espanhóis eram estrangeiros

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